20/10/2016 - Quinta-Feira

Caso do Mês de Outubro

Paciente L.C.S de 60 anos, sexo feminino, relata diagnóstico de melanoma com metástase pulmonar há 03 anos, ainda em quimioterapia. Refere tratamento para epilepsia há 35 anos com Depakene e Rivotril, sendo suspensas as medicações há 06 meses, apresentando 01 episódio de crise convulsiva neste período. O médico assistente solicitou a RM de Crânio para avaliação de possível metástase cerebral.

A Ressonânccia Magnética do Crânio foi feita com as sequências ponderadas em T1, T2, FLAIR e Difusão, antes e após a administração de contraste paramagnético.

Identifica-se uma formação expansiva heterogênea, com sinal predominantemente hiperintenso em T2 (Seq 2), com áreas de sinal elevado na ponderação T1 (Seq 1) principalmente na porção superior, indicando presença de meta-hemoglobina. Há intensa impregnação pelo meio de contraste paramagnético (Seq 3), apresentando sinal bastante reduzido na sequência SWAN (Seq 4), corroborando a presença de elementos de degradação da hemoglobina pelo componente hemorrágico da lesão.

Existe um halo irregular de edema “digitiforme” envolvendo a lesão e comprometendo grande parte da porção do lobo temporal direito, melhor caracterizado na sequência T2 FLAIR (Seq 5).

A lesão se localiza na porção posterior do giro hipocampal à direita, medindo aproximadamente 4,0cm x 4,0cm x 3,5cm (AP x L x T), determinando efeito compressivo com colapso subtotal do átrio do ventrículo lateral direito e abaulamento em relação a margem posterior da cisterna peri-mesencefálica deste lado.

Há leve ectasia dos ventrículos laterais associada a pequeno halo de hipersinal em T2 e FLAIR, que pode representar discreta transudação liquórica periependimária.

A história clínica de melanoma associada a lesão heterogênea sólida, intra-parenquimatosa, envolvida por halo de edema vasogênico, sugere a possibilidade de implante secundário com componente hemorrágico associado.

As metástases intracranianas com componentes hemorrágicos são frequentes em casos de melanomas, devendo entrar como diagnósticos diferenciais outros sítios primários como: Rim (carcinoma renal de células claras - RCC), Mama, Tireóide (carcinoma papilífero – mais comum), Útero (coriocarcinoma - neoplasia trofoblástica gestacional) e Fígado (carcinoma hepatocelular - CHC).

T1

T2

T1 pós contraste

SWAN

T2 FLAIR